Tem como encontrar uma escola perfeita para seu filho com TDAH?

Colaboradora: Cristina Santos

Perfeita mesmo, pode ser que você não consiga achar, até porque, há muito ainda a
ser conhecido e estudado no campo do desenvolvimento e do aprendizado de quem
tem alguma neurodiversidade. Mas, é possível sim, que um aluno com TDAH,
consiga sobreviver à escola sem maiores danos. E é possível até, que você encontre
uma instituição que valorize seu filho e o estimule corretamente.

Tudo ainda é muito novo, podemos dizer que estamos aprendendo ao mesmo tempo
que as instituições – TDAH foi reconhecido e tratado como algo importante só nos
últimos vinte anos, no Brasil, a Associação Brasileira do Déficit de Atenção
(ABDA) foi fundada em 1999, nem vinte anos tem ainda!

Sendo assim, não dá para ter muita ‘tradição’ no ensino. Mas, há alguns cuidados
que podem ser tomados para ajudar seu filho a estudar em um lugar que o
compreenda melhor, e que proporcione um ambiente mais adequado ao seu
aprendizado.

É bom, antes mesmo de começar a pesquisar por uma escola, ter um diagnóstico
claro. Nem todas as crianças que são hiperativas tem TDAH – é sério, pode ser
apenas excesso de energia. Se você tem dúvidas ou se ainda não foi a um médico
para se certificar leia aqui e veja se seu filho se encaixa nos sintomas. Caso tenha
uma menina, este texto pode ajudar mais, o comportamento de meninos e meninas
com TDAH é diferente, então, é bom ficar duplamente de olho.

Com o diagnostico em mãos, você tem argumentos a mais para lidar com a escola.
Muitas instituições não estão preparadas, mas estão dispostas a aceitar e se
adequar as necessidades, sabendo bem o que seu filho tem, fica mais fácil fornecer
as respostas e pedir as ferramentas certas.


Parece uma busca de agulha no palheiro, só que é mais fácil…

Não é fácil… Mas, quanto antes, melhor. Nunca deixe para buscar uma escola já no início do ano letivo. Tente começar antes, para ter tempo de ver a escola em funcionamento, e ir
avaliando todas as possibilidades.

O que você precisa, é saber fazer as perguntas certas, e neste caso, este texto pode
te ajudar. Quer ir pegar papel e caneta para anotar as dicas? Vai lá que a gente
espera. 😉 Voltou? Então, vamos começar!

O que você deve observar (anota aí):
♦ Seu filho é sinestésico? Precisa fazer as coisas por si mesmo para aprender?
(Aprende melhor com as próprias experiencias, precisa tocar para aprender.)
♦ É um ouvinte? (Aprende com instruções verbais)
♦ É mais visual? (Gosta de ver para aprender – um exemplo é quem aprende
assistindo a vídeos no Youtube…)
♦ Trabalha melhor individualmente? (É autodidata, e não gosta muito de
ajuda)
♦ Ele é tímido ou impulsivo? (É do tipo que gosta de responder, e agir, ou
prefere seguir os outros?)

Conhecendo a escola – hora de saber mais sobre o outro lado.

Não acredite no que vê, logo de cara. A primeira impressão sobre qualquer coisa
pode estar equivocada. Se você está indo a uma escola particular, acredite, o que vai ver primeiro, apresentado pelos coordenadores, é sempre o melhor ângulo, e isto, não
corresponde à realidade do dia a dia.

Prepare-se para fazer uma maratona de entrevistas até o veredicto final, e
continuar aprendendo mesmo depois de um bimestre inteiro.


Ainda está com o papel e a caneta por perto? Então lá vai mais uma lista de coisas

a anotar:
♦ Procure por outras mães, pergunte se há como conhecer mães de alunos com TDAH, elas serão uma excelente referência.
♦ Para as mães, pergunte sobre o tratamento dispensado aos filhos,
♦ Se já estiveram em outras escolas, se em um comparativo, preferem esta, e por quais motivos.
♦ Questione se houve algum incidente – crianças com TDAH tendem a se envolverem em incidentes, ainda mais se forem hiperativas – e como a escola tratou isto.
♦ Procure os funcionários, questione sobre o grau de satisfação deles com o colégio.
♦ Se estão ali há muito tempo, e se sabem lidar com este tipo de diversidade.

Um funcionário insatisfeito tende a ser rude, ainda mais com crianças que podem ser confundidas com mal-educadas. Isto pode vir a ser uma fonte de estresse para seu filho.
Claro, nem todo funcionário vai ‘descontar’ no seu filho os problemas dele, mas não custa reunir informações, afinal, é seu filho quem vai passar a maior parte do ano ali, concorda?

Faça perguntas sobre os profissionais que vão lidar diretamente com seu filho. Não serão somente os professores, então, questione se há:
♦ Fonoaudiólogos,
♦ Nutricionistas – há uma linha de tratamento totalmente baseada na alimentação, falaremos dela em outro momento –
♦ Psicólogos,
♦ Psicopedagogos e outros profissionais assistentes para lidar com seu filho.

Neste caso, não é apenas para cuidar do seu filho, estes, são profissionais que toda escola deveria ter, mas que são mais encontrados em escolas privadas.
Nas escolas públicas é comum encontrar um mediador, este profissional tende a ser uma boa referência em casos de conflitos. Veja se há algum na escola, e se possível, converse com ele. Explique a situação e veja como ele entende o tratamento de um aluno com TDAH.

Conheça fisicamente a escola.
É preciso saber o tamanho – quantas salas, quantos andares, em media quantos
alunos. Isto é interessante porque crianças com TDAH costumam ter um senso de direção
não muito preciso e se adaptam melhor em escolas menores.

Se você puder desenhar um mapa de fácil compreensão, as chances de que ele não se perca na escola serão maiores. É um detalhe simples, mas ajuda a aumentar a autoconfiança do seu filho.

Questione sobre a formação dos professores.
Lembra que falamos sobre quão novo é o tratamento de TDAH? Se o professor não estiver atualizado, como vai conseguir lidar com os desafios que seu filho pode oferecer?

Que tipo de política a escola tem em relação a neurodiversidade?
Os coordenadores podem não achar que quem TDAH precisa de cuidados especiais, por exemplo. E, podem até usar como desculpa, a ideia de que a igualdade – e neste caso, menor cuidado – fará um trabalho melhor para seu filho.

Recentemente, um projeto de lei (leia mais aqui) que ainda está em trâmite de
aprovação, foi alvo de um abaixo-assinado contrario. O projeto defende a ideia de
que alunos com TDAH precisam de atenção especial, o que é super importante, e o
abaixo assinado veiculado na web dizia justamente o contrário, afirmando que um
aluno com TDAH ou dislexia não precisa de mais atenção do que os outros alunos, e
que todos devem ter ‘mais atenção igual’. Pois é, um tanto arcaico, mas acontece.

Então, no final das contas, o vencedor é….

Você fez as listas, fez as perguntas e tem as respostas. Para saber onde colocar o seu
filho, leve em conta os atributos a seguir, com base nas respostas que obteve.

Uma boa escola é aquela que…
♦ Tem as melhores opções de crescimento para o seu filho. O que nem sempre fica óbvio só de olhar.
♦ Possui uma estrutura simples, com instruções claras e fáceis de seguir – quem tem TDAH prefere instruções assim, evita se perder no caminho.
♦ Não ficou parada no tempo.
♦ Tem um sistema de gestão que permite a participação dos pais.
♦ Acredita que TDAH não é um mito, e sim, uma neurodiversidade a ser tratada.
♦ Entende que cada aluno é único, e que por isto, não há uma formula mágica para todos.
♦ Possui professores que amam o que fazem, e que não estão saturados demais com o sistema, ou envolvidos demais com a remuneração, para prestarem um serviço de qualidade.
♦ E, acima de tudo, uma escola boa, é aquela que vai te ajudar – e não fazer por você – na desafiadora tarefa de educar uma criança com TDAH.

Parece impossível, ou utópico achar um lugar assim. Vale ter em mente que, é preciso saber como seu filho vai lidar com o ambiente, e isto, só depois de entrar na escola é que você vai saber.

O que você pode fazer antes, é, pura e simplesmente, perguntar – por isto tantas listas acima! – e acompanhar, para que ao encontrar uma escola que parece se encaixar no que você espera, os resultados sejam os melhores possíveis.

A crença de que quem faz a escola é o aluno, é parcialmente verdadeira. É preciso pais presentes, professores dedicados, e alunos que respeitam seus pares. Não é unilateral, mas sim, um trabalho conjunto.

Se depois de tudo, não houver uma ‘melhor’ escolha, o que você pode fazer, é contratar um professor particular, e dar ao seu filho todo o apoio possível por outras vias.

Homeschooling integral para alunos maiores não pode, mas nada impede de
continuar e preencher as lacunas deixadas pela escola em casa. Afinal, é com você
que ele vai aprender tudo o que não puder aprender lá fora.

Como mencionamos antes, ter um filho TDAH é uma verdadeira jornada de vida, e
só vai te enriquecer – pelo menos intelectualmente – no processo.

Gostou das dicas? Possui alguma dúvida ou crítica? Deixe nos comentários!

 

 

 

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