TDAH em meninas, existe? (Parte II)

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Olá! Como o artigo anterior a este ficou extenso por demais! (Clique AQUI para ler o 1º artigo) Resolvi fazer um segundo para falar mais um pouco sobre o TDAH em meninas!

Espero que ajude a todas as mulheres, ou mães de meninas que possuem esta neurodiversidade, ou que ainda não conseguiram diagnosticar por qualquer motivo. Boa leitura!

Como posso ver o TDAH em minha filha?

Há uma hiperatividade diferente da encontrada nos meninos, meninas tendem a ser mais verbais, elas falam muito, enquanto os meninos saem fisicamente bagunçando tudo, as meninas perdem muito tempo conversando, e não conseguem se concentrar direito na sala de aula.

Quando não estão falando com alguém sobre alguma coisa – realmente são bem-falantes, do tipo que as vezes dá vontade de pedir para ‘desligar um pouco’ – estão voltadas para dentro de si, observando e seguindo uma conversa interna que continua mesmo quando silenciada por fora.

Não raro, as meninas copiam a lição, e param olhando para a professora, mas não estão ouvindo o que ela fala, e não são capazes de explicar o que acabaram de copiar.

Em uma sala de aula, você pode ver uma menina com TDAH sentada olhando em direção à janela enquanto meche descontraidamente no cabelo.

Tenho andado distraído, impaciente e indeciso…

Se você conhece a música, provavelmente completou a sequência, “tenho andado distraído, impaciente, e indeciso, e ainda estou confuso só que agora é diferente, estou tão tranquilo e tão contente”…(Legião Urbana, Quase Sem Querer) e seria cômico, se não fosse quase trágico.

Para ajudar a reconhecer um pouco, os sintomas mais comuns são: 

  • Pouca atenção aos detalhes,
  • Atenção limitada,
  • Esquecimento,
  • Distração
  • Incapacidade de terminar o que começou
  • Desorganização
  • Incapacidade ou grande dificuldade em cumprir prazos – e não estamos falando de demora para se arrumar, pelo menos, não apenas isto.

Há ainda um outro fator a considerar, as meninas quando são levadas ao médico por causa de algum sintoma percebido pelos pais, tende a ser diagnosticadas pelas comorbidades (ansiedade, depressão, etc…) e não pela causa em si.

Tudo, menos TDAH.

Não raro, uma adolescente – ou mesmo meninas mais novas – recebe um diagnóstico de depressão ou ansiedade, quando na verdade, o que causou ambas as coisas, é o TDAH.

A autoestima das meninas com TDAH tende a ser menor que a dos meninos, uma vez que é mais perceptível a desorganização feminina. Uma mulher que não consegue ter sua casa em ordem é mais criticada que um homem que não consiga manter a ordem, não é mesmo?

As meninas com TDAH tendem também a ser mais perfeccionistas, e isto não é uma contradição ao fato de serem desorganizadas, em um trabalho escolar, por exemplo, é comum que uma menina com TDAH, assim como um menino, deixe o trabalho para a última hora, mas no caso dela, é também comum, que ela receba ajuda da mãe, porque acredita que seu trabalho não ficou bom o bastante.

Em alguns casos, isto chega a ser tão cansativo, que elas refazem o trabalho duas ou três vezes antes de entregar, e o que parece ser uma atitude zelosa, acaba sendo fonte de ansiedade, enquanto os meninos simplesmente rascunham alguma coisa e entregam na última hora apenas para não perder a nota.

Ainda nas primeiras séries, elas querem pintar os desenhos com cuidado, ficando tristes quando saem dos contornos, e deixando de lado a tarefa por erros bobos. Primeiro porque é difícil se concentrar por muito tempo na tarefa, e depois, porque uma vez que erraram, se sentem incapazes de conseguir realizar o esforço todo novamente para ter um resultado melhor.

Algumas garotas também, já em séries mais avançadas, podem passar horas tomando notas para garantir uma boa nota, é um trabalho que vai deixa-la duplamente cansada, mas que ela faz porque em casa, frequentemente se sente mais encorajada a ter boas notas ou ser melhor que seus irmãos. Dos meninos, um certo desleixo com os estudos é esperado, das meninas não.

Até mesmo no quesito manter as amizades, as meninas saem perdendo.

Uma criança que tem tendência a contar segredos ou fazer fofocas, pode mascarar o TDAH, isto porque é difícil segurara impaciência e a impulsividade, o que aliado a hiperatividade e ao esquecimento, pode tornar mais difícil para as meninas o ato de ‘ficar de boca fechada”.

Assim, elas são afastadas do meio das coleguinhas porque ninguém quer ficar perto de uma garota que não sabe quando ficar quieta, e nem deixa os outros falarem, interrompendo o tempo todo.

Um outro detalhe importante, que pode ser observado nas meninas mais velhas, é que elas não guardam datas comuns, e não ligam muito para detalhes, o que faz com que a maioria das amigas se sinta ignorada.  Enquanto uma menina está contando algo sobre um presente que ganhou, a garota com TDAH está com a cabeça nas nuvens, e quando aterrissa na conversa, pergunta sobre algo completamente alheio ao que as outras estavam falando.

E você? Quais suas dúvidas? Este post te ajudou? Conta pra gente nos comentários! 

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